As recentes tarifas de 25% sobre aço e alumínio impostas pelo governo dos Estados Unidos geraram preocupações entre líderes de grandes corporações, incluindo a Coca-Cola e a Ford Motor Company. Executivos das empresas alertam para possíveis impactos no custo dos produtos e na competitividade do setor.
O CEO da Coca-Cola, James Quincey, afirmou nesta terça-feira, 11 de fevereiro, que a empresa está analisando formas de mitigar os impactos do aumento no custo do alumínio, material essencial para a produção de suas latas. A declaração foi dada durante a conferência de resultados do quarto trimestre de 2024.

Segundo Quincey, a Coca-Cola importa alumínio do Canadá e pode precisar ajustar sua estratégia de embalagens para conter possíveis aumentos de preços.
“Se uma embalagem sofrer aumento nos custos de insumos, continuaremos a ter outras ofertas que nos permitirão competir no espaço da acessibilidade”, afirmou Quincey. No entanto, ele minimizou os impactos imediatos, destacando que as embalagens representam uma parte pequena dos custos totais da companhia.
A mudança na política tarifária ocorre em um momento de revisão dos compromissos ambientais da Coca-Cola. Em dezembro de 2023, a empresa ajustou suas metas de sustentabilidade, reduzindo o objetivo de utilização de embalagens recicláveis de 50% até 2030 para um percentual entre 35% e 40% até 2035.
Setor automotivo alerta para impactos significativos
A indústria automobilística também se manifestou contra as novas tarifas. O CEO da Ford Motor Company, Jim Farley, alertou que a medida pode ter um efeito devastador para os fabricantes dos Estados Unidos, favorecendo concorrentes europeus e asiáticos que não estão sujeitos às mesmas taxas.
“O presidente Trump tem falado muito sobre fortalecer a indústria automotiva dos EUA e trazer mais produção para o país. Até agora, o que estamos vendo é muito custo e muita confusão”, declarou Farley durante uma conferência organizada pela Wolfe Research, em Nova York.
Estudos da consultoria AlixPartners indicam que as tarifas podem adicionar US$ 60 bilhões (R$ 348 bilhões) em custos ao setor automotivo, com parte desse aumento sendo repassado aos consumidores. Analistas da Wolfe Research estimam que o preço de um veículo novo nos EUA pode subir cerca de US$ 3.000 (R$ 17.400) devido às tarifas.
“Sendo bem realista, no longo prazo, uma tarifa de 25% sobre importações do México e do Canadá causaria um impacto na indústria automobilística americana que nunca vimos antes”, alertou Farley.
As medidas tarifárias seguem gerando debates sobre os impactos econômicos para diversos setores e consumidores nos Estados Unidos, enquanto as empresas afetadas buscam alternativas para mitigar os efeitos dessas mudanças.
Impacto das novas tarifas dos EUA sobre siderúrgicas brasileiras
A decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos metálicos deve impactar diretamente três das principais siderúrgicas brasileiras: ArcelorMittal, Ternium e CSN. Juntas, essas empresas exportaram cerca de US$ 2,8 bilhões (R$ 16,3 bilhões) em produtos semiacabados para o mercado americano em 2024.
A ArcelorMittal e a Ternium concentram grande parte de sua produção em Pecém (CE) e no Rio de Janeiro, de onde enviam produtos semiacabados para serem finalizados pelas indústrias americanas.
Além disso, a medida pode afetar o comércio bilateral de carvão, essencial para a produção siderúrgica no Brasil. Anualmente, o país importa aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,81 bilhões) desse insumo dos EUA, e uma redução na produção pode impactar também essas compras.
Histórico de tarifas e desafios diplomáticos
O Brasil já enfrentou barreiras similares no passado. Em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre produtos metálicos e 10% sobre o alumínio, alegando questões de segurança nacional. Na ocasião, o Brasil, junto com Argentina e Coreia do Sul, conseguiu negociar isenções em troca de cotas de importação.
Agora, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, o governo brasileiro tenta reabrir negociações com os EUA para evitar novos impactos à indústria nacional. No entanto, a falta de canais de comunicação com a nova administração americana dificulta avanços. Até o momento, não houve conversas de alto nível com o USTR (Representação Comercial dos EUA), o Departamento de Comércio ou outras agências relevantes.
Novas tarifas e possíveis impactos para o Brasil
O ex-presidente Donald Trump anunciou que novas tarifas recíprocas devem ser reveladas nesta quarta-feira, 12 de fevereiro, com implementação imediata. O Brasil deve ser um dos países afetados por essas medidas.
No setor de alumínio, por exemplo, as exportações brasileiras para os EUA cresceram 16% entre 2023 e 2024, atingindo US$ 796 milhões (R$ 4,63 bilhões), o equivalente a 14% do total exportado pelo setor.
Durante seu primeiro mandato, Trump já havia imposto tarifas sobre produtos metálicos, mas posteriormente concedeu isenções para países como Canadá, México, União Europeia e Reino Unido, permitindo cotas isentas de impostos. Caso novas restrições sejam implementadas, o Brasil pode perder competitividade no mercado americano e enfrentar desafios adicionais para manter suas exportações.
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