O mercado de crédito no Brasil encerrou 2024 com uma queda de 7% na busca por financiamento, segundo dados do Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC). O resultado reflete um cenário econômico desafiador, impactado por taxas de juros elevadas e restrições ao crédito.
Apesar do recuo no acumulado do ano, dezembro trouxe um crescimento de 6% na demanda por crédito em relação a novembro. Além disso, na comparação com dezembro de 2023, o aumento foi de 18%, sinalizando uma possível retomada da confiança do consumidor e das empresas para 2025.
Setores puxaram queda na busca por crédito
O levantamento da Neurotech apontou que a retração no índice foi impulsionada principalmente pelo menor interesse em financiamento no varejo e no setor financeiro, com quedas que variaram entre 3% e 20%.
O varejo, segmento que mais influencia o indicador, abrange categorias essenciais como supermercados, vestuário e eletrodomésticos. O recuo na busca por crédito nessas áreas indica uma cautela maior do consumidor, que evitou endividamento em um ce nário de juros elevados e menor poder de compra.
Já o setor financeiro, que envolve crédito pessoal e empréstimos bancários, também registrou queda significativa. Esse movimento pode ser explicado pelo aumento da inadimplência e pela menor disposição dos bancos em conceder crédito diante dos riscos econômicos.
Por outro lado, o setor de serviços foi a exceção, registrando um crescimento de 30% na demanda por crédito em 2024. A expansão se deve, em parte, à retomada da economia pós-pandemia, que impulsionou áreas como turismo, alimentação e entretenimento.
Perspectivas para 2025
Natália Heimann, líder da Business Unit de Dados & Analytics para Crédito da Neurotech, destaca em entrevista à CNN que, apesar da queda no acumulado de 2024, os números positivos do fim do ano indicam uma tendência de recuperação para 2025.
“Com a consolidação do bom momento para os serviços, que cresceram em todos os meses do ano passado, uma esperada recuperação do varejo pode fazer de 2025 um ano histórico para a oferta de crédito”, avalia Heimann.
A retomada do varejo depende de fatores como a redução das taxas de juros e a melhora do cenário econômico. Se houver um controle da inflação e um aumento na renda da população, a tendência é que os consumidores voltem a buscar crédito para compras e investimentos.
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O impacto dos juros na demanda por crédito
A queda na procura por crédito nos últimos anos foi fortemente influenciada pela alta da taxa Selic, que encarece os financiamentos e reduz o apetite por empréstimos.
O Banco Central iniciou o ciclo de alta dos juros em 2022, quando a Selic saiu de 9,25% para 10,75% ao ano. Desde então, a taxa seguiu em elevação e, em janeiro de 2025, chegou a 13,25% ao ano após três aumentos consecutivos pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Juros elevados impactam diretamente o consumo e os investimentos, tornando o crédito mais caro e reduzindo a capacidade de endividamento das famílias e das empresas. Esse fator explica, em grande parte, a retração na demanda por financiamento em 2024.
“O ano passado foi marcado por um cenário econômico, em geral, ainda muito conturbado. Principalmente considerando o crescimento constante das taxas de juros, que tem impacto inevitável para o consumo”, pontua Heimann.
O que esperar do mercado de crédito?

Com a possível desaceleração da inflação e uma eventual redução da Selic ao longo de 2025, o crédito pode voltar a crescer nos próximos meses. Bancos e financeiras devem acompanhar de perto os sinais do mercado para definir suas estratégias de concessão de empréstimos e financiamentos.
Além disso, o aumento da demanda por crédito no setor de serviços pode ser um indicativo de mudança no comportamento do consumidor. Se o varejo e o setor financeiro acompanharem essa recuperação, o mercado de crédito pode apresentar um desempenho positivo neste ano.
Enquanto isso, especialistas recomendam cautela na contratação de crédito. Juros elevados exigem planejamento financeiro para evitar endividamento excessivo e comprometer o orçamento familiar.
A demanda por crédito no Brasil registrou uma queda de 7% em 2024, reflexo de um cenário econômico desafiador, marcado por juros altos e restrição no acesso ao crédito. No entanto, a recuperação em dezembro e o crescimento no setor de serviços indicam uma possível melhora para 2025.
Com a expectativa de redução da Selic e uma recuperação do varejo, o crédito pode voltar a ganhar força nos próximos meses. O comportamento do consumidor e a política monetária serão determinantes para o ritmo dessa retomada.