A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgou, nesta sexta-feira, 14 de fevereiro, que quase 50% das exportações dos Estados Unidos para o Brasil chegam sem tarifas. Segundo a entidade, cerca de 48% dos produtos norte-americanos têm alíquota zero na importação, enquanto aproximadamente 15% estão sujeitos a tarifas de no máximo 2%.

A Amcham Brasil é uma entidade sem fins lucrativos, apartidária e que não possui vínculos ou recebe recursos financeiros de governos. Com a intenção de estimular o comércio com os EUA, ela possui mais de 3.500 empresas associadas, que representam, em conjunto, cerca de 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto) e três milhões de empregos diretos no Brasil.
De acordo a entidade, apesar da tarifa média nominal brasileira para o mundo ser de 12,4%, a tarifa média efetiva ponderada sobre as importações dos Estados Unidos é significativamente mais baixa, de apenas 2,7%. Essa diferença ocorre devido à elevada participação de produtos americanos com isenção de tarifas, como aeronaves e suas partes, petróleo bruto e gás natural.
A Amcham Brasil destaca que a tarifa média de 2,7% é influenciada por regimes aduaneiros especiais, como o drawback, o ex-tarifário e o Recof. O drawback isenta ou envolve impostos sobre importações usadas na produção de bens para exportação. O ex-tarifário reduz impostos sobre itens importados sem equivalente nacional, e o Recof isenta impostos para empresas que realizam processos de industrialização. Esses regimes ajudam a reduzir ou eliminar impostos sobre as importações dos Estados Unidos.
Em termos de comércio bilateral, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 263,1 bilhões (R$ 1.501,7 bilhões) no comércio de bens e serviços com o Brasil entre 2014 e 2023. Somente em 2024, o saldo positivo para os Estados Unidos foi de US$ 7,3 bilhões (R$ 41,61 bilhões).
A Amcham Brasil reforça que a relação comercial entre os dois países é equilibrada e benéfica para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os lados, destacando a alta complementaridade e o perfil intrafirma do comércio, que torna os Estados Unidos um fornecedor confiável e competitivo para o setor produtivo brasileiro, e o Brasil, por sua vez, uma fonte estratégica para as empresas americanas.
Tarifas recíprocas
Na quinta-feira, 13 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o governo dos EUA vai aplicar novas tarifas recíprocas para os países que cobram impostos sobre produtos norte-americanos.
A medida pretende corrigir práticas comerciais que o governo dos EUA considere injustas, quando outros países impõem tarifas mais altas ou outras barreiras ao comércio sem que os EUA façam o mesmo. O objetivo é equilibrar o comércio global, lidando com tarifas, impostos injustos e subsídios que, segundo Trump, prejudicam as empresas e trabalhadores americanos.
Foco no etanol brasileiro
Trump destacou o etanol como um dos principais pontos, especialmente as tarifas que o Brasil cobra sobre o etanol exportado pelos EUA. Ele apontou um desequilíbrio no comércio, pois, enquanto a tarifa sobre o etanol importado pelos EUA é de 2,5%, o Brasil cobra 18% sobre o etanol exportado pelos EUA.
Esse desequilíbrio fez com que os EUA comprassem mais de US$ 200 milhões (R$ 1,14 bilhões) em etanol do Brasil em 2024, enquanto as exportações dos EUA para o Brasil foram de apenas US$ 52 milhões (R$ 296,4 milhões).
Impacto nas relações comerciais
A medida de Trump pode afetar diretamente as relações comerciais entre os dois países, pois as tarifas recíprocas aumentam as disputas sobre o comércio de produtos como o etanol. O governo dos EUA acredita que isso será útil para corrigir desigualdades e tornar as empresas norte-americanas mais competitivas, criando uma competição mais justa no comércio internacional.
Objetivo das novas tarifas
A Casa Branca explicou que as tarifas recíprocas fazem parte de um “Plano Justo e Recíproco” para corrigir desequilíbrios no comércio internacional. O governo dos EUA afirma que os “impostos não recíprocos” custam mais de US$ 2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) por ano às empresas americanas, o que aumenta o déficit comercial do país.
Em dezembro de 2024, o déficit comercial dos EUA foi de US$ 98,4 bilhões (R$ 560,08 bilhões), um aumento de 24,7%, devido ao crescimento das importações. O governo de Trump quer equilibrar melhor as relações comerciais.
Cenários para as tarifas
Ainda não está claro como as tarifas recíprocas serão aplicadas, mas o governo dos EUA está avaliando várias opções. Entre elas estão: tarifas sobre produtos dos EUA, impostos injustos contra empresas americanas, redução de barreiras não tarifárias (como regras excessivas) e mudanças nas políticas mercantilistas que afetam trabalhadores e empresas dos EUA.
Próximos passos
O estudo sobre a aplicação das tarifas recíprocas deve ser concluído até 1° de abril. Durante esse tempo, os EUA vão analisar as relações comerciais com cada país e suas políticas comerciais. As tarifas não serão aplicadas imediatamente, pois o governo dos EUA quer dar tempo para que os países afetados possam negociar novos termos comerciais.
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou em entrevista coletiva, que os países serão consultados de forma individual para discutir as novas tarifas e as possíveis renegociações de acordos comerciais.
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