Spotify avança no uso de IA e alcança alta histórica de ações

Há dois anos, o Spotify enfrentava uma série de desafios. Críticas de investidores ativistas, como o ValueAct Capital Management, demissões e prejuízos colocavam em xeque o futuro da empresa, situada nos Estados Unidos. No entanto, sob a liderança de Daniel Ek, o Spotify entrou em uma fase de rápido crescimento.

Imagem ilustrando o crescimento do Spotify com gráficos de ações e inovação em IA.
Spotify combina IA e estratégias inovadoras, alcançando alta histórica de ações. Entenda como a plataforma cresce no mercado global de streaming  |Foto: Reprodução/Getty Images

Hoje, o valor de mercado do Spotify quadruplicou, alcançando US$ 92 bilhões (cerca de R$ 451 bilhões). Parte desse sucesso está fundamentada no desempenho financeiro da empresa. Em 2023, a margem de lucro bruto foi de 26% da receita, subindo para mais de 30% nos últimos três meses até setembro – a maior marca já registrada. Para 2024, analistas estimam um aumento no fluxo de caixa livre, de 5% da receita em 2023 para 13%, segundo dados da Visible Alpha.

Essa evolução é impulsionada por estratégias como o aumento nos preços das assinaturas sem perder usuários e a reformulação de suas estruturas de pagamento. Algumas medidas, como colocar letras de músicas atrás de um paywall, têm como objetivo incentivar assinaturas. Outras, como planos mais acessíveis para catálogos restritos de músicas ou audiolivros, ajudam a elevar as margens.

Apesar disso, 70% de cada aumento de US$ 1 (cerca de R$ 4,90) nas assinaturas ainda vai para as gravadoras, de acordo com analistas da Macquarie. No entanto, audiolivros e podcasts permitem que o Spotify retenha uma maior parte dos ganhos, reduzindo os pagamentos de royalties.

Ek continua ajustando o modelo da empresa. Algumas estrelas, como a cantora Taylor Swift, não recebem a totalidade das receitas geradas pelo streaming de suas músicas, já que parte dos lucros subsidia artistas menos populares. Um novo modelo de preços poderia beneficiar artistas maiores, garantindo melhores acordos com gravadoras e possibilitando que o Spotify aumente os valores cobrados dos consumidores para acessar lançamentos recentes.

Além disso, a inteligência artificial generativa surge como uma ferramenta promissora. A empresa pode criar músicas gravadas por artistas mais baratos e alimentadas por modelos automatizados, produzindo playlists genéricas ideais para ambientes como cafeterias ou academias de ioga.

Com essas estratégias, as streams geradas por grandes gravadoras, como a Sony, caíram para 74% do total em 2023, ante 88% em 2016. Projeções sugerem que, se o Spotify aumentar sua margem de fluxo de caixa livre para 20% até 2027 – três pontos percentuais acima do previsto –, com uma receita estimada de US$ 23 bilhões (cerca de R$ 113 bilhões), a capitalização de mercado da empresa poderia atingir US$ 125 bilhões (cerca de R$ 612 bilhões), utilizando o múltiplo de preço/fluxo de caixa livre da Netflix.

No entanto, a IA também traz riscos. A Universal Music já está analisando sons gerados por IA, seguindo a abordagem adotada com o YouTube. Startups, como a Suno AI, conseguem criar músicas completas a partir de comandos de texto em poucos segundos. Se as barreiras de entrada para novos streamers continuarem caindo, o Spotify poderá enfrentar uma concorrência ainda mais acirrada, colocando em risco seu equilíbrio estratégico.

Lucros recordes em 2024

Em 2024, o Spotify, líder mundial em streaming de música, anunciou uma previsão de lucro superior ao esperado para o quarto trimestre. A plataforma acreditava que o lucro seria impulsionado por uma combinação de redução de custos e aumento no número de assinantes.

Esse crescimento foi esperado principalmente devido à alta demanda durante a temporada de festas, um período importante para o consumo de música. As ações da empresa, que já haviam dobrado de valor naquele ano, subiram 7% após o fechamento do mercado.

A empresa tomou várias medidas para melhorar sua rentabilidade, sendo uma das mais notáveis as demissões de funcionários, além do corte de alguns podcasts e a redução dos gastos com marketing. O Spotify também havia aumentado o preço de seus planos nos Estados Unidos, aproveitando o aumento da demanda pelos serviços premium. Essas mudanças visavam garantir um crescimento contínuo e aumentar o número de usuários ativos.

Para o quarto trimestre de 2024, o Spotify esperava uma receita operacional de 481 milhões de euros, cerca de 509 milhões de dólares, superando as estimativas de 445,7 milhões de euros feitas pelos analistas.

A plataforma também esperava aumentar o número de usuários ativos mensais (MAUs), com uma previsão de 665 milhões, superando a estimativa de 661 milhões. Além disso, o Spotify esperava adicionar 8 milhões de novos assinantes premium, totalizando 260 milhões de usuários pagos.

O CEO do Spotify, Daniel Ek, afirmou que a empresa estava no caminho certo para atingir a lucratividade anual, algo que os investidores aguardavam há muito tempo. O Spotify oferecia um serviço gratuito com anúncios e recursos limitados, além de uma versão paga que oferecia mais funcionalidades.

A plataforma se concentrava na personalização e inovação para atrair mais usuários. Recentemente, a empresa havia expandido o uso de inteligência artificial (IA) para criar playlists personalizadas, uma novidade lançada em setembro para novos mercados, incluindo os Estados Unidos.

Essas inovações ajudaram a aumentar em 12% o número de assinantes premium, que atingiu 252 milhões, superando a expectativa de 251 milhões. O número de usuários ativos mensais também aumentou 11%, alcançando 640 milhões.

Contudo, apesar do crescimento no número de usuários, a receita total no terceiro trimestre foi de 3,99 bilhões de euros, abaixo da previsão de 4,02 bilhões de euros, refletindo uma desaceleração no mercado de publicidade digital.

O setor publicitário e a valorização do dólar eram fatores que poderiam afetar a receita do Spotify no quarto trimestre. A empresa esperava alcançar 4,1 bilhões de euros, abaixo das estimativas de 4,26 bilhões de euros.

O CEO Daniel Ek comentou sobre as mudanças no setor de anúncios, afirmando que havia uma mudança nos gastos publicitários, com mais investimentos em automação e campanhas diretas. O Spotify estava focado nesse campo para melhorar sua rentabilidade.

Em contrapartida, a empresa reportou um lucro bruto de 1,24 bilhão de euros no terceiro trimestre, o que representava um aumento de 40% em relação ao ano anterior, superando as expectativas de 1,22 bilhão de euros. A margem de lucro bruto também aumentou para 31,1%, comparado a 29,2% no trimestre anterior.

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